Maternidade

Como educar filhos rebeldes? Veja dicas do que fazer e do que evitar

A queixa de falta de obediência dos filhos é muito frequente entre os pais. O que fazer diante da falta de respeito? Como educar os filhos rebeldes? O que fazer quando eles agem com violência e não respeitam a autoridade?

Para responder a esta pergunta, fizemos um apanhado com muitas dicas do que fazer e do que evitar na hora de lidar com os filhos no dia-a-dia.

Antes de começar a leitura, porém, é importante pensar um pouco sobre o que é de fato um filho rebelde. Uma pessoa rebelde é aquela que nunca aceita a autoridade e age de maneira agressiva. Se seu filho discorda de você às vezes e defende seu próprio ponto de vista, ele não é necessariamente rebelde, entende?

Essa distinção é essencial porque é saudável que seu filho seja uma pessoa com capacidade de construir opinião própria e seguro de suas convicções, com condições de defender um ponto de vista. Apenas não é saudável que ele rejeite qualquer forma de autoridade dos pais e falte com a educação, agindo com grosseria e agressividade.

Tanto crianças rebeldes quanto as que apenas possuem uma personalidade forte podem agir de maneira mais agradável em relação aos pais se houver uma melhora na comunicação. Para melhorar a comunicação com seu filho, você pode seguir algumas dicas básicas.

Como educar os filhos difíceis?

Educar os filhos é preparar a criança para o mundo. Então, é preciso que na casa haja regras e limites, porque no mundo há regras, há limites. Para lidar com uma criança desobediente também é necessário fazer um grande esforço de observação.

Mesmo que você esteja muito preocupada com a situação, procure entender o que a criança sente. O que ela está passando? O que ela está sentindo que a faz agir dessa forma?

Muitas vezes, o comportamento agressivo da criança é resultado da incapacidade que ela tem de lidar com os próprios sentimentos. E lidar com as emoções não é algo fácil, até nós adultos temos dificuldades, não é?

Seu pequeno apenas está aprendendo a ser uma pessoa melhor e precisa da sua ajuda para desenvolver mais qualidades. Vamos ver como você pode ajudá-lo?

1. Seja coerente

Coerência é agir conforme o que você acredita. Essa é a postura que todos os pais deveriam buscar constantemente, porque a criança aprende o tempo todo. Ela observa tudo e aprende muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. Por isso, entenda que com as criança não funciona o famoso “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Isso não quer dizer que você deve ser perfeita, até porque isso é impossível para qualquer ser humano. Mas o que você pode fazer é começar a entender como seu filho tem aprendido a agir dessa forma. Será que ele está repetindo um comportamento que ele presencia em casa? E aí entra o maior desafio: entender o que você deve mudar, como mãe e referência, para que a criança mude também.

Aqui, nós temos dois exemplos muito comuns de falta de coerência dos pais:

  1. Agir com violência: se você bate em seu filho ou age de maneira violenta em relação a ele, você está ensinando ele que é assim que se resolvem os problemas. Você quer que seu filho não seja violento? Então não haja de maneira violenta.
  2. Gritar: a mesma coisa acontece com o grito. Se você gritar com a criança quando você quiser algo, ela também gritará com você quando desejar alguma coisa. Isso não significa que você não pode ser firme. Seja firme e deixe bem claro o que você quer, mas não use da grosseria, pois isso surtirá um efeito contrário.

Para muitos pais desta geração, a violência pode ter sido uma realidade na infância. Mas existem outras estratégias, segundo os estudos de psicologia infantil, que podem construir a autoridade dos pais sem recorrer a este tipo de atitude. Continue a leitura para conhecer mais dicas!

2. Melhore a comunicação

Em muitos casos, os filhos que não obedecem os pais apenas estão com dificuldade de entender o que o adulto está pedindo. Com crianças de 2 a 3 anos isso pode ser uma realidade. Quer saber como se comunicar melhor com seu filho? Veja estas dicas:

  • abaixe-se para falar com a criança;
  • olhe nos olhos dela;
  • seja breve, porque a criança não vai prestar atenção por muito tempo;
  • seja objetiva e use frases simples, para facilitar a compreensão;
  • peça para a criança repetir o que você disse, se ela conseguir repetir é porque entendeu;
  • diga o que você quer logo no início da frase;
  • não esqueça das palavrinhas mágicas, como “por favor” e “obrigada”, afinal, a criança aprende pelo exemplo.

As crianças, por ainda não saberem falar direito, possuem uma sensibilidade muito grande. Elas prestam muita atenção à sua comunicação não verbal e percebem quando você age de maneira controladora ou mal humorada.

Para ajudar a conquistar a atenção da criança pequena, você provavelmente diz algo como: “Preste atenção no que vou lhe dizer”. Se isso não estiver funcionando, procure outras maneiras de chamar a atenção dela. Para crianças bem pequenas, você pode dizer: “Preciso dos seus olhos, preciso dos seus ouvidos”, ou também: “Olhe aqui para mim”.

E não se esqueça de pedir educadamente, dizendo “por favor” e “obrigada”. Afinal, a criança aprende pelo exemplo, não é mesmo? Como ela vai aprender a agradecer por algo se ela não recebe gratidão? Por isso, em vez de dizer “Pegue os brinquedos agora”, procure pedir educadamente.

Uma coisa muito comum que acontece quando você passa uma ordem de maneira autoritária é um fenômeno chamado “disputa de poder”. Quando percebe uma autoridade, a criança pode querer contrariar automaticamente porque não quer cumprir ordens.

Então, se você não quer ficar o dia todo brigando com o pequeno, insira em sua fala um motivo que leve a criança a agradar você com essa tarefa. Por exemplo, em vez de dizer apenas “Guarde os brinquedos agora”, diga algo como: “Filho, olha aqui pra mim, eu quero que você guarde dos brinquedos agora. Você faz isso para a mamãe, por favor?”

Outra coisa que é essencial para a comunicação acontecer é saber ouvir o que seu filho tem a dizer. Para ouvi-lo, procure estar totalmente atenta, sem nada para disputar a atenção. Se você estiver realmente disposta a compreender o que ele está sentindo, vai ter mais facilidade de escolher o que dizer.

3. Tome cuidado com os “rótulos”

A pior coisa que você pode fazer é rotular negativamente seu filho, porque palavras projetam verdades na cabeça da criança.

Mas como isso acontece? Segundo o palestrante Ivan Maia, as palavras tem muito poder. Quando você diz algo para uma criança, inclusive coisas que dão a ela uma característica negativa, as consequências são justamente reforçar e aumentar a frequência desses comportamentos ruins.

Isso acontece porque as palavras geram pensamentos na cabeça da criança, esses pensamentos dão origem a sentimentos. Os sentimentos, por sua vez, geram comportamentos, que produzem resultados condizentes com o discurso que você fez.

Para que você possa entender melhor, veja este exemplo:

Quando você diz para alguém, na frente de seu filho: “Meu filho é um chato” ou até diretamente para ele: “Você é um chato”, pode parecer apenas um desabafo seu, mas para a criança o que acontece é um adulto de referência (que é o exemplo a ser seguido) dizendo que ele é chato.

A criança vai entender que ela é desse jeito e vai produzir vários sentimentos em relação a isso: tristeza e raiva, por exemplo. Esses sentimentos darão origem a comportamentos, porque a criança geralmente possui dificuldade de lidar com as emoções. Com o tempo, de tanto ouvir que ela é dessa forma e reagir a isso, a criança passa a acreditar que é realmente isso.

Na realidade, seu filho pode se comportar de uma maneira inadequada, mas isso é apenas um estado dele naquele momento, indicando que ele está assim. Se você não rotular ele negativamente, vai ajudá-lo a ser diferente.

4. Evite os extremos

Tudo que é demais faz mal, é o que diz a sabedoria popular. Da mesma maneira, a maior armadilha na criação dos filhos são os extremos. Há os pais que proíbem demais e os que permitem tudo. Tanto uma coisa quanto a outra é muito perigoso. Por isso, é essencial encontrar o caminho do meio, para estabelecer o equilíbrio entre o sim e o não.

Proibir demais pode gerar muita raiva e sentimento de injustiça na criança, que provavelmente terá uma tendência maior à rebeldia. O pediatra Dr. Daniel Becker disse, para nossa equipe que você deve escolher muito bem quais as batalhas que você quer travar com seu filho.

Veja aqui a entrevista completa:

E quando você disser não para ele, vá até o fim, sem ceder, porque desistir no meio do caminho pode fazer com que ele aprenda a insistir até você ceder em todas as ocasiões. Essa constância nas proibições será muito benéfica para a relação entre você e seu filho.

Muita permissividade também é tão prejudicial quanto o excesso de proibições. Uma criança que não possui noções de limites pode ter dificuldades de aceitar regras e respeitar as outras pessoas quando for conviver em sociedade. Se educar é preparar a criança para o mundo lá fora, é preciso aprender que há limites.

Uma boa estratégia é ensinar ao seu filho a noção de que ele pode entender uma regra e segui-la mesmo que ele não concorde com ela. Da mesma forma, ele pode entender o ponto de vista das pessoas e saber porque elas agiram de alguma maneira, mesmo que não concorde. Isso vai ajudar a criança a construir a tolerância e a empatia com o próximo.

Para isso, basta ouvir a opinião dele, quando ele discordar de alguma ordem e argumentar com ele. Sempre explicando: “Mesmo que você não concorde, você precisa entender e acatar”.

5. Ensine a criança a pensar no porquê das coisas

Quando você ensina os limites para a criança, é muito importante que ela aprenda que tudo o que ela diz ou faz gera uma ação no mundo e que essa ação vai ter uma reação do mundo com a qual ela precisa saber lidar. Por isso, sempre que a criança fizer algo, é preciso que ela lide com as consequências de seus atos.

Se ela faz algo ruim, pode ter uma restrição de algo que goste muito. E se fizer algo bom, pode ganhar um incentivo. Mas usar apenas isso como estratégia na criação dos filhos não basta.

As escolhas da criança devem ser pautadas apenas pelo medo de um castigo? E as boas atitudes devem sempre acontecer pensando na recompensa? Para uma criança, isso pode parecer sensato, mas e no mundo lá fora?

Matar uma pessoa é um crime que é punido por meio da prisão. Mas o único motivo para não matar alguém é o desejo de não ser preso? Não. Porque existem muitos outros motivos relacionados aos seus valores e seu caráter, não é?

Pensando desta forma, parece uma péssima escolha ameaçar a criança dizendo: “Se você fizer isso, você vai ficar de castigo”. É preciso sempre conversar com a criança e mostrar o motivo de não fazer alguma coisa. Isso se faz por meio da criação de valores e crenças e, principalmente, pelo exemplo.

6. Não reprima os sentimentos do seu filho

O famoso: “Engole esse choro” pode ser mais prejudicial do que você pensa. Quando a criança chora, geralmente é uma maneira de manifestar uma tristeza, uma frustração ou raiva. Então, se a criança chora é porque ela está com dificuldade de lidar com estes sentimentos.

Ao exigir que seu filho pare de chorar, você está ignorando isso e perdendo a oportunidade de ajudá-lo a lidar com os sentimentos. O melhor é entender porque ele está chorando e conversar sobre o sentimento, sempre ensinando-o a separar sentimentos de atitudes. Pergunte se ele está se sentindo triste ou chateado e diga que ele não precisa agir dessa maneira quando ele se sente assim.

E mais uma vez: o exemplo é a melhor maneira de ensinar algo ao seu filho. Por isso, quando ele perder o controle, você deve ser o adulto da situação e manter a calma. Se precisar, procure mais conteúdo sobre inteligência emocional, afinal, é preciso saber como dominar as emoções para ensinar isso aos filhos.

7. Não minta

A mentira é uma maneira fácil de abalar a confiança que seu filho sente por você. E como ele aprende pelo exemplo, é muito provável que ele também passe a mentir.

Se seu filho vai tomar uma injeção, por exemplo, e vai doer, diga a verdade. Se ele vai ficar sem internet por um tempo, seja sincera. Se vocês vão fazer algo e será preciso esperar muito tempo, explique que vai demorar.

E procure sempre dar sugestões de como lidar com a situação. Diga que vai doer, mas que será bem pouco e rápido e que ele vai conseguir passar por isso muito bem. Como vocês vão ficar sem internet, podem aproveitar para fazer alguma coisa juntos, como sair para passear, jogar um jogo de tabuleiro ou conversar. Já que vai demorar, sugira outras coisas para fazer enquanto esperam.

Quando você explica a situação e prepara o seu filho pra lidar com as dificuldades ele confia mais em você e aprende a ser mais resiliente em relação às dificuldades.

 

Ao lidar com filhos rebeldes, é preciso mudar algumas posturas do cotidiano. E a mudança nunca acontece de uma hora para outra. Tenha em mente que é um processo e não desista dos seus filhos!

O período de transição pode ser esquisito, muita coisa pode soar artificial, mas com o tempo as coisas vão se ajeitando e ficando mais fáceis de lidar, acredite.

Para saber mais sobre a criação de filhos, confira este artigo também:

/* ]]> */