Maternidade Saúde

Manobra de Kristeller: essa intervenção médica é considerada violência

A manobra de Kristeller já foi banida em diversos países por conta das consequências negativas para a mãe e também para o bebê. Criada pelo médico alemão Samuel Kristeller em 1867, a técnica arriscada ainda é muito praticada no Brasil, apesar de tanto a OMS quanto o Ministério da Saúde não recomendarem essa prática.

Conheça mais sobre os riscos que essa prática traz tanto para o corpo da mãe quanto para o frágil corpo do bebê que está prestes a nascer e saiba como evitá-la.

O que é a manobra de Kristeller?

Uma manobra aparentemente simples e inofensiva tem sido questionada por várias associações de profissionais da área da saúde no Brasil e no mundo.

Tanto a Febrasgo quanto o Conselho Federal de Enfermagem não indicam  aos profissionais da área a realizarem ou participarem da manobra.

Ela geralmente é sugerida no calor do momento, já no período final do trabalho de parto, o chamado expulsivo. Consiste em empurrar a parte superior da barriga da mãe, onde está o fundo do útero, para teoricamente ajudar o bebê a sair.

Você deve estar pensando: “Mas só um empurrãozinho não ajuda?”. Pois é, por parecer uma ajuda que promete encurtar o trabalho de parto que essa prática ainda é indicada e realizada por vários profissionais, apesar de todos os riscos envolvidos.

Existem médicos que até utilizam um banco para subir, ao lado da maca onde está a gestante, e usar o peso do corpo durante o ato. Em casos extremos, o profissional chega a subir na maca para forçar a barriga da gestante.

Conheça os riscos da manobra:

O famoso “empurrãozinho” aumenta os riscos de laceração grave para a gestante. A laceração acontece quando a pressão é maior do que a capacidade do tecido da vagina se esticar, causando um rasgo.

A laceração ocorre porque o colo do útero, que iria se abrir gradualmente para o bebê passar durante o período expulsivo do trabalho de parto, acaba sendo forçado, podendo ceder. Esse tipo de laceração pode danificar os músculos do colo do útero, podendo chegar a romper a musculatura do esfíncter anal da mãe.

Além disso, também pode ocorrer a rotura uterina, que são lesões no útero, que também pode ceder à pressão e romper. O descolamento de placenta também pode ocorrer e prejudicar a oxigenação do bebê, causando danos irreversíveis para ele, além de hemorragia para a mãe.

A hemorragia interna também pode ser causada pelo rompimento dos órgãos internos, devido à pressão exagerada. Assim como fratura das costelas e hematomas.

Para o bebê, os riscos são de traumatismo craniano e fraturas nos ossos do crânio. Também é possível fraturar a clavícula do pequeno bebê.

Antigamente, a manobra era mais comum e a pressão exercida ainda era mais violenta. Mas não se engane, se você conhece alguma mulher que passou por isso e saiu “ilesa” do procedimento, é um caso de sorte. As evidências científicas não são nada animadoras.

Por isso, é melhor prevenir do que remediar, não é?

Como então facilitar a saída do bebê sem utilizar a manobra de Kristeller?

Se o objetivo da manobra é facilitar a saída do bebê, temos boas notícias: existem várias atitudes simples que podem ajudar sem colocar sua vida e a do seu bebê em perigo.

Uma das práticas mais saudáveis durante todo o trabalho de parto é que a gestante mude de posição durante o processo. Dessa maneira, o movimento ajuda o bebê a descer, além de permitir que a grávida encontre posições confortáveis para lidar com as contrações.

Outra ação eficiente é caminhar durante o trabalho de parto. Isso ajuda a dilatação a fluir mais facilmente, sem contar que a gravidade invariavelmente vai facilitar o encaixe do bebê no canal da vagina.

Evitar a posição horizontal, ou seja, não parir deitada, é a melhor estratégia para facilitar a saída do bebê. As posições posições verticais deixam a gravidade à favor do nascimento do bebê a podem ajudar a mãe a fazer força.

Veja algumas dicas de posições para os momentos de contração e seus intervalos:

Esperar pelo momento certo de fazer força também é muito indicado. Durante o período expulsivo do trabalho de parto, a gestante começará a sentir uma vontade natural e inevitável de fazer força. É uma reação natural do corpo e segui-la é a melhor opção, evitando de ser orientada pelo médico. Afinal, não é o médico que está sentindo vontade de empurrar, né?

Como evitar que a manobra se feita?

Existem várias maneiras de evitar essa manobra, mas isso depende das circunstâncias em que a gestante está parindo.

Se a equipe médica que está acompanhando a gestante é humanizada, dificilmente a manobra será uma opção considerada pelos profissionais envolvidos.

Porém, se o parto será no SUS ou na rede privada comum, o ideal é se precaver, fazendo o máximo para se movimentar durante todo o trabalho de parto. A gestante também pode negar a realização da manobra, caso ela seja sugerida pela equipe.

O acompanhante da gestante também pode ajudar a negociar com a equipe e garantir que eles não empurrem a barriga dela.

Outra opção é contratar uma doula, que ajudará no trabalho de parto, orientando posições e maneiras de lidar com a dor e facilitar a dilatação, além de ajudar dando informação e apoio à gestante. Não sabe o que é doula? Leia mais sobre as doulas aqui.

 

A consciência das consequências negativas da manobra de Kristeller é essencial para evitar esses riscos. Também é importante que a gestante conheça as fases do trabalho de parto para se preparar para este momento tão delicado e poderoso para a mulher.

A manobra é considerada violência obstétrica. Então, caso você seja vítima dela, denuncie junto à ouvidoria do hospital em que foi atendida. Essa simples atitude pode evitar que outras gestantes passem por isso.

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