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Uso medicinal da maconha: entenda como funciona

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O uso medicinal da maconha é um dos assuntos mais polêmicos tratados dentro da comunidade científica em todo o mundo, que se vê em um dilema para chegar a uma conclusão sobre os possíveis benefícios e malefícios de sua legalização. Enquanto alguns dos seus membros defendem a legalização da erva para fins terapêuticos como um avanço da medicina, outros questionam o quanto um remédio proibido e vicioso poderia trazer malefícios sociais e psicotrópicos à sociedade.

A controvérsia surgiu após a legalização da maconha medicinal em alguns estados dos Estados Unidos, onde, apesar de realmente ajudar vários pacientes e, ainda, da regulamentação e fiscalização cerradas das autoridades, muitos pessoas saudáveis – inclusive, turistas – conseguem comprar a erva livremente sob o falso argumento de portarem doenças crônicas.

O assunto passou a ser estudado a sério por especialistas desde 1964, quando o cientista Raphael Mechoulan, da Universidade de Tel Aviv, em Israel, extraiu da erva natural uma substância chamada delta-9-tetraidrocanabinol (THC), principal ingrediente da Cannabis Sativa (nome científico da erva da maconha) e estudou os seus efeitos no corpo humano.

No entanto, os seus fins terapêuticos já são conhecidos e registrados há mais de seis mil anos por outras civilizações, que já defendiam o uso medicinal da planta para tratar enfermidades como cólicas menstruais, inflamações na pele e asma, por exemplo. Mas, afinal, como funciona o uso da maconha medicinal?

Se você se interessou pelo assunto e quer saber mais, continue lendo esse artigo até o final e conheça as regras, as formas de utilização e quais doenças podem ser tratadas.

Legalização: como funciona?

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Até o momento, o uso medicinal da maconha é aprovado apenas em alguns estados dos Estados Unidos, no Canadá, no Uruguai e em Israel. Nos demais países, incluindo o Brasil, o assunto vem sendo amplamente discutido pela comunidade científica e governantes e ainda não tem uma data para ser concluído.

A legalização do uso medicinal trata da compra, liberação do consumo e cultivo da erva por pessoas que tenham doenças crônicas e precisem do uso da maconha para amenizar as dores. Para isso, é preciso uma prescrição médica, que nos Estados Unidos é chamada de “Marijuana Card”, para que os pacientes ou responsáveis legais comprem a droga em lojas especializadas e autorizadas a fazer a venda.

Aqui no país, apenas o uso de medicamentos derivados da maconha, como o Canabidiol e o THC, é liberado pelo governo e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para isso, é necessária uma recomendação médica feita ao paciente para que ele possa comprar os produtos no país ou importá-los do exterior.

Quais as doenças tratadas pela maconha?

Devido à algumas substâncias presentes em sua composição, como o THC e o Canabidiol, a maconha medicinal (Cannabis Sativa) pode ser uma grande aliada no combate às dores crônicas e outros sintomas causados por várias doenças, que podem ser desde uma simples dor de cabeça até o câncer.

No entanto, vale ressaltar que a maconha não cura nenhuma das doenças para as quais o seu uso medicinal é liberado. A erva apenas pode amenizar alguns sintomas doloridos e incômodos e os efeitos colaterais de alguns tipos de tratamento, como a quimioterapia, no caso do câncer.

Veja, a seguir, as principais doenças crônicas que podem ser tratadas com a maconha medicinal:

epilepsia

Câncer

Como você já leu acima, a maconha medicinal pode tratar vários males à saúde humana, inclusive o câncer. Quem sofre com a doença passa meses ou até anos se tratando com a quimioterapia, que, por sua vez, é responsável por causar enjôos e vômitos dos quais os pacientes tanto reclamam.

Devido às suas propriedades antieméticas, a maconha pode ajudar a reduzir de forma significativa esses sintomas. Apesar de seu efeito ser menor se comparado a outros medicamentos com a mesma função, se aliada a estes, o paciente pode se sentir mais confortável com o tratamento, uma vez que terá as náuseas e vômitos controlados por mais tempo.

Aids

Pacientes soropositivos costumam perder muito peso devido aos efeitos do vírus HIV no organismo, sendo este o principal motivo que os leva a desconfiar do contágio e procurar ajuda médica. Inclusive, é o que faz muitos especialistas acreditarem que manter o peso talvez seja o requisito essencial para que uma pessoa soropositiva não desenvolva a doença.

E é aí que entra a maconha medicinal. Quem fuma maconha sabe que ela abre bastante o apetite, o que leva os usuários a um aumento de peso rápido. Neste sentido, a droga pode ajudar e muito os pacientes com HIV a sentirem menos os males causados pelo vírus.

Esclerose múltipla

A esclerose múltipla é uma doença degenerativa do sistema nervoso, que possui sintomas terríveis e que podem até mesmo ser fatais. Entre eles estão os espasmos musculares, dores fortes e mau funcionamento dos intestinos e da bexiga.

Graças aos seus efeitos calmantes, a maconha medicinal ajuda a diminuir a ansiedade, considerada a principal causa dos espasmos nestes pacientes, aliviando as crises e tornando-as menos frequentes.

Glaucoma

O glaucoma é doença caracterizada pelo aumento da pressão do líquido dentro do olho, podendo levar à cegueira. Por isso, a maconha medicinal é utilizada para baixar a pressão intraocular e diminuir as chances de piora do problema. A única desvantagem é que o paciente teria que fumar maconha a cada três ou quatro horas, o que poderia afetar o seu sistema nervoso.

É por isso que estão em andamento alguns estudos que prometem a criação de colírios à base de maconha que podem agir diretamente no olho, sem afetar o funcionamento normal do cérebro.

Epilepsia

Alguns estudos já têm mostrado que a maconha medicinal pode amenizar as crises epilépticas em pacientes que sofrem com a doença. Isso porque a erva possui propriedades calmantes e relaxantes em sua composição, o que poderia reduzir os movimentos bruscos das convulsões.

Mal de Parkinson

Da mesma forma que em pacientes epilépticos, a maconha medicinal pode controlar os movimentos desordenados de quem sofre com o Mal de Parkinson. Algumas pesquisas apontaram o uso da maconha em doses baixas para estimular os movimentos e em doses altas para inibi-los.

Cólicas menstruais

A maconha possui funções analgésicas que podem combater e aliviar diversos tipos de dores. Entre elas estão as incômodas e dolorosas cólicas menstruais e as dores pós-operatórias, por exemplo.

Depressão

Devido ao seu efeito calmante e sedativo, a maconha medicinal combate a ansiedade, principal causa do desenvolvimento de quadros depressivos em pessoas saudáveis. Ela pode reduzir significativamente os sintomas de tristeza e melancolia nos pacientes.

Formas de utilização

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Em países onde o uso da maconha para fins medicinais é aprovado, a sua utilização pode ser feita da mesma maneira que o seu recreativo, ou seja, através do fumo ou da vaporização. No primeiro caso, a erva é queimada em forma de cigarros ou cachimbos, de forma que os pacientes inalem a fumaça para obterem os benefícios da droga.

Já no caso da vaporização, a erva é esquentada, mas não chega a ser queimada, como nos exemplos acima. Neste caso, a inalação é feita a partir do vapor da água. Há casos, ainda, em que o consumo da maconha medicinal é feito a partir da ingestão da em forma de comidas ou doces. Basta preparar uma receita, como bolos, com a erva entre os ingredientes para conseguir os seus efeitos.

Há ainda quem prefira o extrato líquido da Cannabis Sativa, do qual são extraídos os seus principais componentes, como o THC, para dar efeito mais rápido aos males e sintomas causados pelas doenças mencionadas acima.

No Brasil, o uso da maconha medicinal ainda não é legalizado. No entanto, os pacientes podem comprar ou importar medicamentos à base da droga, como o Canabidiol e o THC, para tratar as enfermidades. Neste caso, como falamos acima, é preciso uma prescrição médica para adquirir os remédios.

Efeitos colaterais

Todo e qualquer medicamento que mexa com o funcionamento do corpo e do sistema neurológico pode trazer efeitos colaterais indesejados, mesmo que sejam altamente benéficos à saúde. No caso da maconha medicinal, o seu consumo regular pode causar sintomas duradouros de três à seis horas, como tonturas, sono, estado de letargia, insônia, delírios, irritabilidade, perda de memória a curto prazo e euforia exagerada.

Em pessoas com problemas psiquiátricos, esses efeitos podem ser mais graves, causando ataques de pânico, transtorno de personalidade, depressão e crises de ansiedade. Por isso, nestes casos, é recomendada a prescrição médica para o uso terapêutico da maconha.

Contraindicações

Até o momento, o uso medicinal da maconha em países onde há legalização está contraindicado para grávidas e lactantes, além de pacientes com doença cardiovascular, respiratória ou com alguma doença psiquiátrica.

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