Sexo

Vaginismo: conheça as causas e como tratar o problema

Às vezes, a musculatura vaginal é contraída sem que a mulher queira, provocando dor e até impedindo a relação sexual completa. O problema é chamado de vaginismo e geralmente não tem causa física.

Este distúrbio da sexualidade feminina é definido como uma síndrome psicofisiológica. É raro, mas capaz de causar profundas consequências.

O espasmo dos músculos ao redor da saída da vagina, quando não tratado, pode trazer inúmeros desconfortos no campo emocional e, ainda, abalar relacionamentos.

A contração involuntária típica do vaginismo é recorrente ou persistente, abrangendo da musculatura do períneo adjacente até o terço inferior da vagina. Ela acontece quando há tentativa de penetração ou pela simples previsão e imaginação da entrada do pênis, tampão, espéculo ou dedo.

A retração pode ser leve, com alguma tensão e desconforto, ou severa, impossibilitando completamente a entrada do órgão sexual masculino ou qualquer outra forma. Quando a contração e mais grave, surge a dor.

Mas o vaginismo não impede de sentir desejo, prazer e ter orgasmo, entre outras respostas ao sexo, desde que não haja tentativa de penetração ou expectativa em relação a isso.

O medo quase sempre inconsciente da dor acaba piorando o distúrbio, uma vez que a mulher tende a contrair ainda mais a musculatura pélvica em situações associadas à transa. O resultado é mais dor, medo e contratura, formando um círculo vicioso complexo.

O vaginismo nem sempre é entendido, exposto e combatido. Muita gente confunde esta condição com algo “normal”, como se fosse um episódio de tensão, estresse, por parte da mulher.

Muitos casais acabam passando por dificuldades que envolvem frustração, mágoa, sentimento de culpa, rejeição e, por consequência, distanciamento.

É difícil estimar a quantidade de casos de vaginismo, pois menos de 30% das pacientes com sintomas do problema procuram os ginecologistas relatando queixas relativas a ele. Acredita-se que a incidência de vaginismo seja de 5% a 17% das reclamações.

Os sintomas mais comuns são: dor durante o ato sexual, contração involuntária da musculatura pélvica na relação, baixa autoestima, ansiedade, dificuldade de manipular os próprios genitais.

O diagnóstico desta condição é possível por meio de análise do histórico da paciente, exame clínico e, se necessário, de imagem – para descartar causas orgânicas.

Veja também

Por que o vaginismo acontece e como tratar o problema

As causas do vaginismo ainda não estão totalmente esclarecidas. É possível que múltiplos fatores estejam envolvidos.

No caso do vaginismo primário, existe uma relação com um mecanismo psicossomático; já o secundário está ligado à experiência negativa imaginária ou real.

O funcionamento da sexualidade feminina é reflexo de várias questões. Entre eles, a origem de sua resposta sexual, o desenvolvimento da sexualidade; aspectos morais, religiosos, culturais e educacionais; tabus, personalidade, histórico de abuso e falta de conhecimento sexual.

Pensamentos que impedem uma atitude positiva em relação ao prazer sexual também pesam na balança quando o objetivo é identificar as causas do vaginismo.

O tratamento deste distúrbio normalmente abrange uma diversidade de ações que incluem avaliar o casal. Para evitar frustrações e mais consequências negativas, é fundamental buscar ajuda especializada.

Existem medicamentos para tratar as doenças associadas ao vaginismo que provocam dor. É o caso das infecções. Há também hormônios que servem para combater atrofia, géis anestésicos e Botox para ajudar no relaxamento da musculatura vaginal.

Além de tratar possíveis causas orgânicas, é essencial dar apoio emocional e fornecer informações para que a paciente possa conhecer melhor seu próprio corpo. Muitas vezes, é necessário passar por sessões de psicoterapia e, ainda, de fisioterapia específica para o assoalho pélvico.

As complicações decorrentes do problema podem ser evitadas com autoconhecimento, amor-próprio e segurança em relação a si mesma; apoio médico e psicológico de manutenção.

As chances de superar o vaginismo são grandes quando a pessoa tem vontade, acesso aos tratamentos e está disposta a mudanças.

Cuide-se! Até breve!