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Chá Ayahuasca: afinal, o que é esse chá tão famoso?

Provavelmente você já deve ter ouvido falar no chá ayahuasca, popular por provocar efeitos alucinógeno e muito usado em rituais religiosos. Conheça a origem e o uso deve controverso chá.

História do Chá Ayahuasca

O chá ayahuasca é utilizado desde a Pré-história na Bacia Amazônica e países como o Peru, Colômbia e Equador. Não entanto não é possível afirmar quando o chá começou a se tornar popular, mas existem evidências arqueológicas através de potes e desenhos de plantas alucinógenas encontradas em cavernas, que o uso ocorra desde 2.000 a.C.

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Tradicional em várias culturas, principalmente a indígena, a ayahuasca é conhecida também por yajé, natema, pindé, caapi, mihi, kahi, dápa, bejuco de or, vine of gold, vine of the spirits e vine of the suol. Na linguagem indígena Quechua, aya significa espírito ou ancestral, e huasca significa vinho ou chá, e que pode ser traduzido como “vinho das almas ou dos espíritos”. No Brasil, o chá ayahuasca é amplamente conhecido por ser utilizado em seitas religiosas como o Santo Daime, Porta do Sol, Céu de Maria e União do Vegetal.

Durante a colonização europeia, os padres e monges evangelizadores eram contrários ao uso do chá ayahuasca pelos indígenas considerando que a bebida fazia parte de rituais de orgia e de evocação ao diabo. Em virtude do relato dos padres à Igreja, o uso da planta foi condenado pela Santa Inquisição em 1616. Mas mesmo assim o seu uso persistiu, principalmente no Peru no século XVII, como uma forma de preservar à cultura e resistir aos invasores estrangeiros.

Afinal, o que é o chá ayahuasca?

Existem variações a cerca das plantas usadas para o preparo do chá ayahuasca, mas todas são similares em seus efeitos. O chá é preparado por meio da mistura das plantas Banisteriopsis caapi e da Psichotria viridis. Na maioria das vezes, o preparo contêm talos da Banisteriopsis caapi ou outra planta similar, e folhas da Psichotria viridis.

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Algumas plantas adicionadas ao chá, como a Diploterys cabrerana, ajudam a maximizar as experiências de estimulação visual, bem como as sensações de contato com locais e forças sobrenaturais e divinas que o chá de ayahuasca proporciona.

A preparação do chá é longa, demorando quase 24hrs, o que torna inviável a produção em grandes quantidades, e também varia de acordo com o grupo, como um chá quente, ou amassando os talos e folhas com água fria e deixando repousar por um dia.

O uso do chá ayahuasca

O chá ayahuasca foi consumido amplamente na Amazônia Ocidental, Peru, Equador, Colômbia e costa do Panamá, sendo identificadas mais de 72 tribos indígenas de várias etnias que faziam uso das mesmas plantas para preparar o chá, porém, davam-lhe outro nome.

Entre diversas tribos do Amazonas, o chá ayahuasca é tido como uma bebida mágica, de origem divina. Para eles, o seu uso facilita o desprendimento do espírito que está preso junto ao corpo, para que ele entre em contato com divindades superiores em seu plano maior. É certo para eles, também, que retornam ao corpo desses lugares carregados de conhecimentos sagrados.

Já entre alguns nativos, o chá de ayahuasca é usado para a cura, para a proteção contra espíritos maléficos, contra ataques de animais selvagens na floresta e para fornecer visões importantes para o planejamento de caçadas.

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O uso da ayahuasca resistiu ao longo dos anos à proibição e ao preconceito, e seu uso não ficou restrito apenas aos nativos das florestas, mas espalhou-se rapidamente entre as pequenas cidades da região Amazônica. Na Amazônia Peruana, os xamãs utilizavam o chá para ajudar as pessoas pobres das áreas rurais e suburbanas que não tinham atendimento médico e amparo à saúde, para tratar problemas físicos, mentais e com “problemas sobrenaturais”, como a possessão.

Santo Daime

A ayahuasca sobreviveu as perseguições das culturas dominadoras e juntamente com o contexto xamânico, a bebida passou a ter um uso todo peculiar na parte da Amazônia brasileira com a formação, no estado do Acre da religião ayahuasqueira ou daimista.

Fundada na década de 1920, no Acre, pelo seringueiro maranhense e neto de escravos, Raimundo Irineu Serra, conhecido como Mestre Irineu, o Santo Daime é uma doutrina espiritual que mesclou aspectos da cultura indígena e afro, com suas influências esotéricas e espíritas, mas dentro do contexto cristão.

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O primeiro contato que Mestre Irineu teve com o chá ayahuasca foi na Amazônia boliviana. Segundo ele, a bebida lhe trouxe a visão de uma mulher que se apresentou como a “Rainha Universal”, e que o orientou a vagar durante oito dias pela mata. Após isso, se apresentou a ele como sendo Virgem Maria e o orientou a espalhar a palavra de Deus por meio da ayahuasca.

Também, segundo Mestre Irineu, o chá deveria se chamar Daime em alusão ao verbo dar e que deveria ser usado nos cultos e rituais em expressões como “dai-me amor”, “dai-me cura”, “dai-me esperança”, e outros “dai-mes”.

O ritual

Na década de 30, o Santo Daime já tinha uma identidade própria, mas levou mais de 3 décadas para constituir no culto básico que é realizado hoje e que mantém a base dos rituais, vestimentas e dos principais hinários de quando foi fundado. Quando da morte de Mestre Irineu em 1971, Sebastião Mota de Melo, discípulo do Mestre, passou a ser o padrinho do Santo Daime, mantendo seu ritual.

Os rituais acontecem duas vezes por mês e os adeptos devem usar roupas claras em tons de azul e branco. Após ingerirem o chá ayahuasca os seguidores começam a “acessar níveis de consciência”, ao longo de um demorado ritual onde são cantados vários hinos.

Chá ayahuasca: benefícios e efeitos colaterais

As substâncias contidas no chá ayahuasca, que são a dimetiltriptamina, a harmina, a harmalina e a tetrahidroharmina, são alucionógenas, porém, vindas de uma fonte natural. A ciência busca incessantemente verificar quais são os benefícios e efeitos do chá se ingeridos rotineiramente. Embora não existam comprovações até o momento, a ayahuasca pode agir nas áreas da visão e da memória. Em razão do bem-estar que o chá provoca, em virtude da liberação de serotonina, muitas pessoas com depressão estão cada vez mais em busca da ayahuasca.

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Sobre o autor

Giovanna Cóppola

Trabalha com web, design, criação, conteúdo, SEO e fotografia. Em 2011 criou a Pandartt e hoje assume a direção da agência, além de colocar a mão na massa em todos os projetos. Paralelamente, tem outros três projetos: Viva com Felicidade, BlogGeek e Mapa dos Bichos. Ama música, cinema, jogos, arte, tecnologia, tatuagens e pandas.

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