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Glutaraldeído no cabelo: conheça os perigos desse alisante capilar

Seja por se sentirem mais bonitas ou por questão de praticidade, desde o surgimento das famosas escovas progressivas, várias mulheres passaram a recorrer aos alisamentos capilares nos salões de beleza para domar o volume do cabelo, alinhar os fios e conquistar o tão sonhado liso perfeito.

No entanto, depois da proibição do uso do formol pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é o principal ativo químico utilizado na realização desses procedimentos, as indústrias cosméticas do Brasil e do mundo começaram a buscar outras alternativas para substituir a substância nos alisamentos para não perder a clientela, o que pode ter deixado essa opção de embelezamento ainda mais perigosa para a saúde.

O problema é que os novos compostos usados no lugar do formol podem oferecer até 10 vezes mais riscos à saúde, como é o caso do gluturaldeído, que você vai conhecer melhor no nosso artigo de hoje. Mais popularmente conhecido com glutural, esse ativo químico é usado para fazer a desinfecção de materiais hospitalares, considerado muito mais potente que a substância que foi restrita em primeiro lugar pelo órgão fiscalizador, já que é capaz até de esterilizar produtos e acessórios contaminados pelo vírus HIV.

Já imaginou isso no seu cabelo? Mesmo sabendo disso, muitas marcas passaram a vender no mercado vários produtos clandestinos à base dessa substância, com um preço muito mais barato se comparado aos demais produtos menos agressivos – chegando a custar até quatro vezes menos que os legalizados – e, ainda, com resultados mais sedutores, que mostra um liso muito mais intenso que atrai a atenção das clientes.

O resultado? Mais riscos à saúde, além de mais tempo e dinheiro gastos a longo prazo para recuperar os fios após o procedimento! Quer saber quais são os riscos do glutural à saúde e ao cabelo? Então, continue de olho nos próximos parágrafos desse artigo que eu te conto por que você não deve usar produtos à base desse ativo químico nas suas madeixas.



O que é o gluturaldeído (glutural)?



gluturaldeído – mais conhecido como glutural nos salões de beleza – é um aldeído saturado, de odor forte, bastante utilizado em esterilizantes e desinfetantes de materiais hospitalares e ambulatoriais, devido a sua ação antibacteriana. Resumidamente, trata-se de um composto químico usado na fabricação desses produtos na função de uma substância conservante, que tem como principal objetivo evitar a proliferação de bactérias.

De acordo com a lei, essa é a única atribuição permitida pela Anvisa para a adição de glutural a produtos cosméticos (com limite máximo de 0,1%), o que quer dizer que o seu uso próprio e exclusivo, ou seja, como elemento principal de alisamentos capilares é perigoso à saúde e ao cabelo, além de ser considerado crime. É isso mesmo!

Em 2005, o órgão fiscalizador publicou a legislação que garante que a adição de gluturaldeído (ou qualquer outra substância, como o formol) a um produto acabado, pronto para uso, constitui infração sanitária, o que pode levar o estabelecimento que adota esta prática a responder à punições administrativas, cíveis e penais cabíveis. Além do mais, a adulteração desses produtos configura crime hediondo.

Mas, afinal, por que ele passou a ser usado em alisamentos capilares? É simples! Quando acrescentado a produtos alisadores para o cabelo, o gluturaldeído atua como um agente oxidante que pode intensificar o efeito liso nos fios, que toda mulher sonha em ter. A sua ação se dá devido ao seu pH alto (nível de acidez aumentado), que funciona dilatando e abrindo as cutículas dos fios, permitindo, desta forma, a entrada do produto ao qual ele foi adicionado no interior da fibra capilar, o que potencializa o seu efeito ao final do procedimento.

No entanto, apesar de prometer resultados mais eficientes e promissores às vaidosas adeptas às madeixas alisadas, com um liso intenso e espelhado, o uso do gluturaldeído pode ser prejudicial à saúde como um todo, causando vários sintomas como os que eu vou te mostrar a seguir, e, ainda,

Quais são os riscos da substância para a saúde?

O glutural é um ativo químico considerado 10 vezes mais neurotóxico que o próprio formol, o que o torna muito mais perigoso no uso em alisamentos capilares.

Sendo assim, tal como este último, o gluturaldeído também pode trazer vários danos à saúde do profissional que faz as escovas progressivas e, também, à cliente ao entrar em contato com a pele ou com sua vaporização na hora da aplicação, tais como alergia, queimaduras, coceira, descamação, inchaço e vermelhidão no couro cabeludo, além de lacrimejamento e ardência nos olhos, tosse, falta de ar, coceira no nariz e dores de cabeça.

Ainda, com o uso frequente de alisantes à base dessa substância, os sintomas podem ser ainda mais desagradáveis e até mais graves, como boca amarga, enjoos, dores de barriga, vômitos, feridas na boca, desmaios, feridas na narina e olhos.

E se você achava que os prejuízos ao usar o gluturaldeído com alisantes capilares pararam por aí, está enganada! Segundo especialistas, quando substâncias químicas como esta são aplicadas no cabelo pode haver uma alteração do DNA das células, potencializando os riscos de desenvolvimento de câncer.

Além disso, também há os problemas ocasionados ao cabelo após o procedimento. Mesmo com a primeira impressão de fios lisos perfeitos, você corre o risco de ter que lidar com uma haste capilar danificada, ressecada, enfraquecida e com tendência à quebra.

Por encapar os fios durante a aplicação, além de fazer o cabelo perder água, o glutural danifica a cutícula dos cabelos, que é a parte mais externa dos fios, e deixa o córtex, a parte interna, chamada de “coração do cabelo”, bastante vulnerável ao ressecamento e perda da cor.

Portanto, mesmo gastando menos dinheiro e tendo um efeito mais liso no cabelo, além de arriscar a saúde usando o glutural, a longo prazo, o custo de gastos e tempo para recuperar os fios é ainda maior. Fica a dica!

Quais são os alisantes químicos permitidos?

Para alisar o cabelo sem correr todos esses riscos, o mais importante é fugir de produtos que contenham gluturaldeído, formol ou qualquer outro composto químico que não seja liberado pela Anvisa. Para isso, além de pesquisar a fundo sobre a fórmula de cada produto antes de usar, o ideal é conversar com um cabeleireiro de sua confiança e pedir que ele lhe mostre detalhadamente o rótulo dos produtos que ele irá aplicar nos seus fios.

E desconfiar não é crime e, ainda, pode salvar a sua vida e das suas madeixas! É comum vários produtos possuírem uma embalagem falsa de liberação da Anvisa. Alguns podem alegar que foi ‘vendido’ e rotulado como uma ‘nova forma de diminuir o volume dos cabelos’, o que passaram a chamar de ‘escova progressiva de aminoácidos’.

No entanto, o problema é que esses produtos com rotulagem falsa não costumam usar apenas aminoácidos na fabricação, mas também qualquer agente oxidante – como é o caso do glutural ou formol – que potencializa o efeito liso no cabelo, mas agredindo os fios sem que você saiba e, o pior, trazendo riscos à sua saúde.

Então, fique atenta! Alisou? Tem formol, gluturaldeído ou qualquer outra substância química com função de agente oxidante. E lembre-se: as entidades de saúde no Brasil e no mundo alertam que somente os produtos ‘relaxadores’ químicos são legalizados e seguros para a aplicação de alisamentos capilares. Dentre os permitidos pela Anvisa podemos citar o tioglicolato de amônia (ácido tioglicólico)hidróxido de guanidinahidróxido de sódiohidróxido de cálciohidróxido de potássio e hidróxido de lítio.

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Como saber se o produto que vou usar é permitido por lei?

Fique atenta aos falsos rótulos de liberação pela Anvisa! Para saber se está sendo enganada, basta estar de olho nas embalagens dos produtos que você irá usar para fazer o alisamento químico capilar. Em geral, os alisantes registrados no órgão fiscalizador devem estampar, obrigatoriamente, o número de registro (que sempre começa pelo número 2 e sempre deve conter de 9 a 13 dígitos), precedido pelas siglas “Reg. ANVISA” ou “Reg. MS”, em sua embalagem externa.

Enquanto isso, os produtos que foram notificados como inadequados e, portanto, não possuem liberação da Anvisa contêm a inscrição “343/05” em seus rótulos, o que os encaixa na categoria de produtos não recomendados para alisamentos capilares.

Caso você fique na dúvida na hora de usar algum produto alisante, basta consultá-lo no site da Anvisa. Clique em “CONSULTA A COSMÉTICOS REGURALIZADOS” e preencha o campo “NOME PRODUTO” ou “NÚMERO DE REGISTRO”. Desta forma, você poderá verificar se o alisante tem ou não registro no órgão sanitário.

E aí? Agora entendeu por que não usar o gluturaldeído para alisar o seu cabelo? Conhece alguém que use esse ativo químico e não saiba dos riscos que ele pode trazer à saúde e aos fios? Então, compartilhe esse artigo nas suas redes sociais para ajudar alguma amiga que ainda não saiba!

Até a próxima!

Sobre o autor

Raiane