Artesanato

História do Artesanato: das cavernas aos dias de hoje

Para alguns, artesanato é terapia; para outros, fonte de renda extra. E há também os que fazem dele o ganha-pão da família. Mas como será que tudo começou? De onde vem esse interesse por trabalhos manuais? Veja hoje na história do artesanato.

Bem, tudo começou com a própria história da humanidade. Afinal, sempre houve a necessidade de produção de itens de uso diário e enfeites, revelando assim a capacidade de criação como forma de trabalho.

Já no período neolítico, 6 mil anos antes da era cristã, o homem poliu a pedra, fabricou cerâmica e descobriu que podia tecer com fibras animais e vegetais. Estes foram os primeiros objetos feitos por nossos ancestrais – e os primeiros artesanatos.

Trazendo a história dos trabalhos manuais mais para perto da gente, aqui no Brasil, no mesmo período, foram encontrados registros de indústria de pedras e cerâmica no sudeste do Piauí. Os produtos artesanais eram feitos por etnias de tradição nordestina.

Foi a partir do século XIX que o artesanato passou a ter local próprio, digamos assim. Nas oficinas, um mestre-artesão, aquele com maior conhecimento técnico, orientava seus aprendizes.

Funcionava da seguinte forma: a mão de obra barata e fiel era trocada por vestimentas, comida e conhecimento. O que deu origem às chamadas corporações de ofício, organizações para defender os interesses dos mestres de cada região.

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Saiba mais sobre a origem do artesanato

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A própria palavra já define: artesão + ato, ou seja, artesanato é o trabalho manual, produção de um artesão, que utiliza matéria-prima natural.

Com a mecanização da indústria, o artesão passou a ser conhecido como aquele de fabrica objetos da cultura popular.

Por tradição, o artesanato tem caráter familiar. Quem o produz é detentor dos meios (oficina e ferramentas) e trabalha na própria casa, realizando todas as fases da produção.

Ou seja, o artesão e sua família estão envolvidos no preparo da matéria-prima, execução e acabamento do produto. Sem divisão precisa do trabalho ou especialização – em alguns casos, apenas um ajudante ou aprendiz.

Ok, estava tudo indo muito bem… até que chegou a Revolução Industrial, iniciada lá na Inglaterra. Ela desvalorizou bastante o artesanato, que perdeu muito de sua importância.

O trabalho artesanal passou por mudanças neste período do capitalismo. Começou a ter divisões de tarefas, ou seja, certas pessoas eram escolhidas para funções específicas, deixando de atuar, portanto, no processo todo de fabricação.

Os artesãos tinham condições de trabalho ruins e baixa remuneração. Um contexto que ganhou o nome de linha de montagem, modo de divisão de tarefas bastante conhecido até hoje. E muito criticado por artistas e teóricos do século XIX.

Os intelectuais da época enfatizavam que os artesãos tinham mais liberdade justamente porque possuíam os meios de produção e alto nível de satisfação e identificação com o produto.

O grupo de Artes e Ofícios, criado na segunda metade do século XIX, surgiu para tentar lidar com as contradições trazidas pela mecanização e tentar valorizar o feitio tradicional.

Conheça a história do artesanato

O artesanato está intimamente ligado ao folclore de um povo; revela costumes, usos e tradições de uma região.

Os índios são os nossos mais antigos artesãos. Sua cultura, crenças e hábitos incluem pintura com pigmentos naturais, cestaria e cerâmica, além da arte com plumas e penas de aves (cocares, tangas e outras peças de vestuário).

O artesanato brasileiro é um dos mais ricos do mundo, e é responsável pelo sustento de muitas famílias.

Atualmente, existe uma forte tendência ligada ao artesanato sustentável, uma modalidade que utiliza reciclagem na produção de artes manuais.
Ele é fruto da busca por modos de preservar a natureza e conscientizar a sociedade em relação ao excesso de lixo resultante do consumo em larga escala. Não deixa de ser, também, um aviso sobre o que pode acontecer no futuro se certas atitudes não mudarem.

O impacto ambiental dos dejetos industriais atirados na natureza, infelizmente, ainda é na prática uma preocupação de poucos.

Que bom que muitos artesãos criam obras lindas – reconhecidas mundialmente – com itens que para a maioria não passam de lixo.

E que venham muitas outras na história do artesanato!
Até o próximo artigo…

Sobre o autor

Fatima

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