Remédios Saúde

Lenalidomida: conheça o remédio contra câncer raro que virou polêmica no Brasil

O mieloma múltiplo é um tipo de câncer na medula óssea, sem cura, que representa 1% do total de casos de câncer, sendo considerado raro pelas autoridades de saúde se comparado aos demais tipos da doença. Em geral, ele atinge idosos, com idade entre 60 e 70 anos, e acontece por conta da multiplicação acelerada de células-tronco nessa região, prejudicando a formação de células de sangue.

No Brasil, chega a 30 mil o número de pacientes diagnosticados com a doença. Por este motivo, no nosso artigo de hoje, nós vamos falar sobre a Lenalidomida (ou Revlimid, seu nome comercial), um medicamento amplamente utilizado para o tratamento de mieloma múltiplo e que virou polêmica no país ao ter o seu registro e comercialização proibido pelas autoridades de saúde brasileiras, levando milhares de pacientes aos tribunais para brigar na justiça pela liberação do fármaco.

Mas, afinal, por que ele foi proibido? E por que esse medicamento é tão importante para pacientes que sofrem com mieloma múltiplo? Entenda mais sobre o Lenalidomida nos próximos parágrafos…

O que é a Lenalidomida (Revlimid)?

A Lenalidomida (ou Revlimid) é um medicamento utilizado em combinação com a dexametasona em pacientes de mieloma múltiplo recidivados e que já tenham recebido ao menos um protocolo de tratamento.

A sua ação é imunoduladora, o que significa que o seu uso por portadores da doença ajuda na melhora das atividades imunes e inibição da inflamação das células do sangue, melhorando a ativação dos linfócitos T e das células conhecidas por natural killer (NK), capazes de matar as células do câncer.

De acordo com profissionais especialistas no assunto, utilizar este medicamento pode até mesmo triplicar as chances de sobrevida das pessoas que enfrentam esse tipo de câncer, além de melhorar bastante a qualidade de vida, já que não apresenta muitos efeitos colaterais e reduz consideravelmente os sintomas da doença.

Anvisa: entenda a polêmica

Em 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), levando milhares de pacientes a brigarem nos tribunais brasileiros pela liberação do fármaco. Isso porque, sem o aval da agência reguladora, o Sistema Único de Saúde (SUS) e os planos de saúde não poderiam fornecer a droga, sob o amparo da lei federal que proíbe a oferta de remédios sem registro do órgão.

Além disso, o custo do remédio seria bastante alto e inacessível aos portadores da doença, já que um comprimido de 25 mg custaria em torno de R$ 1.426, o que quer dizer que um tratamento de seis meses sairia em torno de R$ 257 mil, segundo dados levantados pela Folha de S. Paulo (2016).

Sobre a proibição, a Anvisa alegou à época que “os estudos apresentados pela empresa solicitante não foram suficientes em relação ao placebo”. Além disso, o órgão afirmou que a substância deveria ser comparada a outro análogo (substância para a mesma indicação), que já estava em uso no Brasil, a Talidomida.

Até a data, o medicamento já era aprovado em mais de 70 países, inclusive pelo FDA (Food and Drugs) e EMA (Agência Europeia de Medicamentos), além de países sul-americanos. Por esta razão, comunidades de pacientes, como o International Myeloma Foundation Latin America (IMF) e a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), entraram na luta em prol da aprovação do fármaco e manifestaram indignação pela decisão da agência reguladora.

Após anos de luta, foi apenas em dezembro de 2017 que o órgão aprovou o registro do medicamento, após consulta pública.

Saiba mais sobre o mieloma múltiplo

Para entender melhor por que o mieloma múltiplo acomete o corpo humano, é preciso entender primeiro o que é a medula óssea. A medula óssea é responsável pela fabricação dos componentes do sangue: glóbulos vermelhos, encarregados pela oxigenação do organismo; glóbulos brancos, que defendem o corpo das infecções; e as plaquetas, que evitam hemorragias.

Portanto, quando as células-tronco dessa região são afetadas, ao serem multiplicadas de forma acelerada, há uma menor produção dos componentes do sangue, citados anteriormente. Com isso, a doença se desenvolve no sangue, causando sintomas como:

  • Anemia;
  • Falta de fôlego;
  • Dor nos ossos;
  • Constipação;
  • Náuseas;
  • Perda de apetite;
  • Perda de peso;
  • Infecções frequentes;
  • Sede excessiva;
  • Confusão mental;
  • Fraquezas nos membros;
  • Sangramentos anormais;
  • Fragilidade óssea.

Fatores de risco

Alguns fatores de risco podem ser os responsáveis pelo surgimento da doença, como:

  • Ser do sexo masculino;
  • Ter entre 60 e 70 anos de idade;
  • Ter origem negra;
  • Exposição à radiação;
  • Obesidade;
  • Histórico familiar.

Lembrando que é de extrema importância fazer exames de sangue de rotina e consultar sempre um especialista responsável por tratar este câncer, o onco-hematologista. E se você foi diagnosticada com mieloma múltiplo, não hesite em tirar todas as suas dúvidas com seu médico.

Cuide-se e até a próxima!

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