Doenças

Lúpus: causas, sintomas e tratamento – saiba tudo sobre a doença

Cinco milhões de pessoas ao redor do mundo convivem com uma doença cuja complexidade chega ao ponto de os pacientes terem dificuldade de relatar aos médicos exatamente quais sintomas estão sentindo. Estamos falando do lúpus. Para saber mais a respeito, é só seguir a leitura.

O que vem a ser lúpus?

O lúpus é uma doença crônica caracterizada por inflamações que podem ocorrer em diversas partes do organismo. A origem dessas inflamações é o próprio sistema imunológico da pessoa, que por alguma disfunção ainda não elucidada pela medicina, passa a atacar tecidos saudáveis como se eles estivessem infectados por algum agente nocivo.

O nome completo dessa doença é lúpus eritematoso sistêmico (LES) e trata-se de uma das mais de oitenta doenças autoimunes conhecidas. Por doença autoimune entende-se exatamente essa falha do sistema imunológico que acabamos de descrever.

Os casos da doença podem ser enquadrados em quatro diferentes tipos, a saber:

  • Discóide: quando a inflamação ocorre apenas na pele; em alguns casos, o lúpus discóide pode se transformar em lúpus sistêmico;
  • Sistêmico: quando a inflamação atinge vários órgãos do corpo; é o tipo mais frequente de lúpus;
  • Induzido por drogas: quando as inflamações são produzidas por medicamentos; elas desaparecem com o fim do seu uso;
  • Neonatal: são casos raros em que a doença no corpo da mãe ataca os tecidos do embrião no útero; a criança nasce com os sintomas típicos da doença; alguns desses sintomas desaparecem com o tempo, outros não.

Quais são as possíveis causas da doença?

Conforme já mencionado, não se sabe quais são as causas exatas do lúpus.

Os estudos mais avançados realizados até aqui sugerem que a doença seja resultante de alguma relação entre fatores genéticos, questões hormonais, infecções virais, hábitos da pessoa e estímulos do ambiente.

Algumas hipóteses levantadas por pesquisadores associam a doença a fatores como exposição ao sol, uso de medicamentos e tabagismo.

Outra linha de investigação toma as estatísticas da doença como ponto de partida e verifica que:

  • A incidência do lúpus entre mulheres é maior do que entre homens;
  • A faixa etária mais atingida situa-se entre 15 e 40 anos de idade;
  • A doença é mais frequente entre pessoas de etnias afro-americanas, hispânicas e asiáticas.

Os múltiplos sintomas que podem estar associados ao lúpus

Reconhecer diferentes sintomas e associá-los a um quadro comum é um dos grandes desafios que médicos e pacientes enfrentam quando a doença em questão é o lúpus.

Dependendo de quais tecidos foram atacados pela doença, alguns sintomas diferenciados podem surgir. Em geral, os sintomas mais comuns são:

  • Perda de peso;
  • Perda de apetite;
  • Dores articulares;
  • Cansaço, até mesmo quando há pouco esforço;
  • Manchas na pele;
  • Queda de cabelo;
  • Dor ao respirar;
  • Febre;
  • Anemia;
  • Desânimo;
  • Fraqueza;
  • Lesões na pele, como as “asas de borboleta” no rosto;
  • Inchaços;
  • Inflamação das membranas que cobrem os pulmões;
  • Inflamação nos rins;
  • Rigidez muscular;
  • Coceiras;
  • Fotofobia;
  • Dor de cabeça;
  • Confusão mental, perda de memória;
  • Feridas na boca;
  • Ansiedade, mal-estar;
  • Outros mais específicos.

Como se chega ao diagnóstico do lúpus?

O reumatologista é o especialista mais indicado para avaliar um possível quadro da doença. Não é um diagnóstico fácil de ser elaborado. Os sintomas variam muito de uma pessoa para outra, variam para a mesma pessoa com o passar do tempo e confundem-se com os sintomas de outras doenças.

Não existe um exame específico para detectar a doença. O especialista precisa avaliar uma combinação de exames para chegar ao diagnóstico. O histórico do paciente é importantíssimo e, na medida do possível, deve ser investigado detalhadamente.

Além do exame físico, normalmente se fazem necessários um hemograma completo, o raio-x do tórax, uma biópsia renal, exames de anticorpos e um exame de urina.

Lúpus tem cura? Como é o tratamento?

Ainda não existe uma cura definitiva para o lúpus, mas as formas de tratamento têm evoluído muito, a ponto de 80 a 90 por cento dos pacientes com lúpus conseguirem levar uma vida normal.

Os casos mais leves da doença podem ser tratados com anti-inflamatórios, protetor solar, corticóides e drogas antimaláricas (isso mesmo, as propriedades anti-inflamatórias dos remédios desenvolvidos para tratar a malária são muito úteis no tratamento da doença).

Para casos mais graves, que podem até mesmo colocar a vida em risco, os tratamentos são feitos com doses elevadas de corticóides ou de medicamentos imunossupressores. Caso não se mostrem eficientes, pode-se recorrer a drogas que bloqueiam o crescimento das células. São medicamentos muito agressivos, que exigem um monitoramento constante do paciente.

E se o lúpus não for tratado adequadamente?

O lúpus é uma clara manifestação de funcionamento inadequado do sistema imunológico. Quando o mecanismo de defesa natural do corpo passa a funcionar ao contrário, atacando-o, significa que o corpo está indefeso.

Não tratar o lúpus é dar abertura para que novas complicações surjam. Algumas podem ser fatais. Por exemplo:

  • lúpus pode representar riscos para a gravidez. Embora muitas mulheres portadoras da doença consigam ter uma gravidez normal, a presença de anticorpos de lúpus aumenta os riscos, ainda mais se a mulher não estiver seguindo um tratamento adequado;
  • A doença pode atingir os rins e determinar sua falência. Essa é uma das principais causas de morte ligadas ao lúpus;
  • No coração, o lúpus pode elevar o risco de um ataque cardíaco e de outras doenças cardiovasculares;
  • Afetando o cérebro, a doença poderá provocar desde dores de cabeça e tonturas até confusão, mudanças de comportamento, alucinações, derrames cerebrais (AVC) e convulsões;
  • Atingindo os vasos sanguíneos, provocará anemia, sangramentos e inflamação;
  • Nos pulmões, produzirá uma sensação de dor ao respirar;
  • Com o sistema imunológico em desequilíbrio, as chances de infecção aumentam; as mais comuns nessa situação são as do trato urinário e as respiratórias;
  • Pode ocorrer a necrose avascular, ou seja, a morte das células que revestem os ossos, tornando-os mais vulneráveis a fraturas e aumentando as possibilidades de rompimento das articulações.

Lúpus e qualidade de vida

Diante de todo esse quadro, quem convive com o lúpus precisa estar atento a todos os cuidados necessários para mantê-lo sob controle e impedir que ele interfira em sua qualidade de vida.

Estar psicologicamente fortalecido e ter o apoio de familiares e pessoas próximas também são medidas fundamentais para essa batalha.

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