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Mommy burnout: 3 causas de esgotamento + 9 dicas para tratar

O mommy burnout, também conhecido como esgotamento materno é um problema físico e psicológico relacionado à exaustão extrema causada pelo estresse e o excesso de trabalho. Esse quadro atinge principalmente as mães com personalidade perfeccionista.

As várias noites sem dormir direito por conta da amamentação ou do sono leve do bebê, o cansaço físico por carregar o bebê o dia todo mais a carga do trabalho doméstico. Fora ainda as mulheres que não tiram sequer a licença maternidade…

O cansaço do burnout materno também é mental. É muito comum que essa mãe “ligada no 220” não consiga descansar, esteja sempre preocupada com o que há para fazer e sofre com insônia.

E aí, se identificou? Então fica ligada nesse artigo e saiba mais sobre a síndrome de burnout na maternidade.

Síndrome de Burnout

Síndrome de Burnout é um problema tanto físico quanto emocional. Geralmente, esse esgotamento está mais atrelado a rotinas profissionais intensas. No mundo do trabalho, o burnout pode acontecer quando um funcionário está sobrecarregado, ou ainda, quando está numa função que não aproveita totalmente as suas capacidades.

No caso das mães com burnout, os transtornos não são causados pela maternidade em si, mas sim pela maneira como esse momento está sendo vivido pela mulher e sua família.

Longos períodos de sono intranquilo, novas responsabilidades e muita expectativa em relação às mudanças desse novo momento da vida podem causar um mommy burnout.



No entanto, o burnout não se trata apenas de cansaço. O cansaço é um dos fatores, apenas. A mãe esgotada fica fissurada nas suas tarefas diárias, desesperada por dar conta de tudo. Qualquer problema pode ser o gatilho para o desequilíbrio emocional nestes casos.

A mãe exausta só pensa e só fala do filho, já não sai com os amigos e passa muito tempo tomando conta das atividades diárias.

Quer saber mais sobre o burnout na maternidade? Continue a leitura e conheça os sintomas desse mal.

Sintomas de Burnout Materno

O burnout materno possui alguns sintomas em comum com a síndrome de burnout comum:

  • sentimento constante de culpa: se qualquer coisa foge do controle, a mãe exausta puxa toda a responsabilidade para si;
  • pessimismo: incapacidade de ver as coisas sob outro ponto de vista, reclama constantemente dos problemas e tende a adotar uma postura até mau-humorada;
  • exaustão: cansaço físico e mental que não passa apenas com uma noite de sono, uma sensação de peso nas costas, de problemas demais para resolver;
  • sentimento de fracasso e de impotência: por mais que faça muitas coisas e resolva diversos problemas, a mãe com burnout se acha incompetente e incapacitada de lidar com todas as responsabilidades que tomou para si;
  • descompensações físicas: problemas hormonais, pressão alta, diabetes, desmaios, anemia, diarreia, vários problemas físicos sem explicação aparente.

Principais Causas do esgotamento materno

Podem ser inúmeras as causas do mommy burnout, mas podemos falar sobre alguns mais comuns:

1. Carga mental

A carga mental é basicamente ter que pensar em tudo. Muitas vezes as mães contam com “ajuda” em casa, mas na realidade essa ajuda é pontual. Quando a mulher ainda tem que pensar em tudo, decidir o que fazer e delegar tarefas, o cansaço mental pode causar muito estresse.

Alguns exemplos de carga mental:

  • ser responsável por acompanhar as datas de vencimento das contas da casa e pensar num dia para pagar todas elas;
  • ficar atenta a tudo que está acabando e que precisa ser comprado na casa;
  • ser a única responsável por dar remédios e tratar as doenças dos filhos;
  • nos dias de passeio ou de saídas com os filhos, fica responsável por ver se está tudo certo, arrumar a bolsa, pensar na alimentação das crianças enquanto elas estiverem fora;
  • checar o caderno de recados da creche ou escola para saber se está tudo ok;
  • organizar as tarefas da casa e pensar no que precisa ser feito, mesmo que seja para pedir para outra pessoa fazer
  • monitorar a qualidade e quantidade de comida que a família consome e pensar em opções mais saudáveis.

Isso pode parecer banal, mas no caso de mães que trabalham fora ou dentro de casa, essas responsabilidades todas somadas às outras de ordem pessoal podem causar uma sobrecarga e tanto.

2. Excesso de responsabilidades

Além de trabalhar, cuidar dos filhos e fazer todas as tarefas domésticas, a mãe ainda precisa ter tempo para cuidar de si. São muitas responsabilidades para uma pessoa só e mesmo que seja competente, não há como dar conta de tudo.

Se a mãe é solo ou solteira, então, esse problema se agrava, pois não existe uma pessoa por perto que possa dividir as tarefas diárias.

3. Ausência de divisão igual de tarefas

Se você trabalha e seu companheiro também, é preciso que as tarefas domésticas sejam divididas igualmente. Não se trata de discurso feminista, se trata de garantir uma qualidade de vida para todos da família.

Uma coisa que ajuda muito nesses casos é fazer uma lista de tudo que a mãe faz durante a semana. Diante dessa lista enorme de tarefas, é possível pensar em quais podem ser feitas por outras pessoas.

Estratégias para superar o mommy burnout

Cada caso é um caso. O principal a se fazer é buscar ajuda de profissionais especializados. Pode ser um psicólogo ou um médico psiquiatra. Entender que existe um problema não é um primeiro passo. O primeiro passo é buscar ajuda, certo?

1. Busque um tratamento médico

Em casos de estresse e cansaço extremos, o organismo tende a se desequilibrar. Pode ser que você passe mal porque seu corpo está mandando um sinal de alerta para você. Vá a um médico, pode ser um clínico geral, e faça exames para ver como o estresse tem atingido seu corpo.

O estresse pode aumentar os níveis de cortisol e outros hormônios relacionados à irritação. Pode ser que você precise tomar vitaminas, medicamentos para controlar a ansiedade e tenha que fazer exercícios físicos moderados. Entretanto, apenas um médico pode indicar um tratamento adequado.

2. Faça um tratamento psicológico

Muita gente tem preconceito com psicólogos ou acha que simplesmente não precisa deles. Isso está errado! Não existe essa de Mulher Maravilha fora das telas de cinema. Aceitar ajuda é essencial.

Um acompanhamento psicológico cria um espaço de escuta onde você pode se abrir sobre seus problemas e te dá um tempo para pensar em você e no que é preciso mudar para que tudo melhore.

Uma visão de fora, de um profissional que estudou pode ser muito benéfico. O psicólogo deve ter uma postura profissional e te ouvir sem julgar o que você diz. Ele está lá para te acolher e ajudar você a pensar em soluções.

3. Defina Prioridades

O que é realmente importante para você? Parece uma pergunta simples, mas às vezes nossa ação na correria do dia-a-dia é muito diferente das coisas que a gente diz e acredita.

Às vezes é preciso saber dizer não. Se você já tem muitas coisas para fazer, porque aceitar mais e mais? As pessoas que se importam realmente com seu bem estar vão compreender. Não se sobrecarregue voluntariamente se isso te faz mal.

Escolha as batalhas que você quer enfrentar. Será que vale a pena entrar em atrito para que tudo saia como você espera o tempo todo? Será que vale a pena ficar brigando com os filhos o tempo todo? Tem que trabalha um pouco a resiliência, amiga.

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4. Crie uma rede de apoio

Pode ser que você não concorde completamente com a maneira como sua mãe ou sua sogra trata seus filhos. Pode ser que você não confie muito em outras pessoas para ficar com seu bebê para você. Mas você precisa encontrar um equilíbrio.

Aceitar diferenças que existem entre você e as outras pessoas é importante para criar uma rede de pessoas que possam te dar uma força quando você mais precisar.

Ser grata e exercitar a humildade pode fazer milagres, acredite! Muitas vezes, evitar atritos desnecessários é muito mais útil do que implicar com pequenas coisas. Aceite a ajuda das pessoas junto com as limitações que elas têm e tire esse peso das costas.

Não é possível controlar tudo, entendeu?

5. Faça a divisão de tarefas e responsabilidades

Não é só dividir as tarefas, mas dividir também a carga mental. Isso significa que a pessoa que ficar com a tarefa de fazer as compras da casa, terá também a responsabilidade de ver o que está faltando e precisa comprar. Simples.

A divisão precisa ser de uma maneira que você tenha confiança em quem vai dar um help pra você. Esta pessoa também precisa se sentir à vontade para ser proativa. Proatividade é pensar em como evitar problemas futuros com atitudes diárias.

E lembre-se: não é possível controlar tudo, ok?

6. Lide com a culpa e com o sentimento de fracasso

O fato de estar passando por um momento delicado assim não quer dizer que você é fraca, que não aguentou o baque nem nada disso. A situação era demais para qualquer pessoa e pedir ajuda não significa fraqueza, mas humildade.

Existe uma ilusão que faz muitas pessoas sofrerem: a ilusão de poder controlar tudo. Não adianta se desdobrar, deixar de descansar ou de cuidar de você e da sua saúde para tentar ter tudo sob controle. Isso é impossível! Você só vai conseguir uma coisa com isso: ficar cada vez mais doente.

7. Liberte-se da autocobrança

Abrindo mão da necessidade de controle sobre tudo você também trabalha um pouco a autocobrança. Você acha que você é sua própria amiga? Pode parecer uma pergunta estranha, mas é que muitas vezes nos comportamos como nossas próprias carrascas!

A mesma facilidade que devemos ter para compreender e perdoas as outras pessoas, temos que ter com a gente mesma. Seja mais benevolente consigo mesma, acolha suas dores, simpatize com as suas angústias.

Parar de se referir a você mesma de maneira negativa ajuda muito! Nada de: “Como eu sou/fui idiota!” ou “Eu sou muito trouxa mesmo”. Isso faz mal demais!

E pare de pensar no que os outros acham de você. Deixa que eles se preocupem com isso. Você deve se preocupar em estar de bem com a vida.

8. Dê uma filtrada nas relações sociais

Isso vale tanto para as redes sociais no internet quanto na vida real. Afaste-se de pessoas muito críticas, fuja das palpiteiras que colocam defeito em tudo que você faz. Isso já vai ajudar muito.

Nas redes sociais há muito espaço para a inveja e pior: para a comparação com outras pessoas. Além de ser um desperdício de tempo, é uma punhalada que você dá no próprio peito. Se sua amiga que teve filho tá melhor do que você, é porque ela tem outras condições de vida, outras vivência e outros problemas.

Não é justo ficar vendo a time line pra se sentir inferior ou menos feliz que os outros, ok? Se puder, diminua a quantidade de tempo online ou simplesmente deixe o celular de lado aos finais de semana.

9. Cuide-se

Você faz uma pausa diária para o auto-cuidado? Eu estou falando de uma hora por dia só pra você. Sem crianças, sem animais de estimação, sem amigas desabafando com você, sem marido. Um momento em que você cuida só de você.

Pode ser uma ótima oportunidade para iniciar um hobbie, uma atividade prazerosa e que seja revitalizante para você. Sem grandes pretensões, apenas para se divertir.

Experimente meditação, yoga, dança contemporânea, crochê, qualquer coisa que seja para você. Pinte o cabelo, faça as unhas, vá passear num lugar cheio de natureza, enfim, faça algo por você. Você merece e precisa.

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Qual a diferença entre mommy burnout e depressão pós-parto?

Bianca Amorim, psicóloga e coaching de mães publicou um vídeo sobre esse assunto em seu canal no YouTube. Em linhas gerais, a especialista explica que, se não tratado adequadamente, o burnout pode causar depressão pós-parto.

Entre as principais diferenças entre esses dois quadros, estão:

  • o burnout é um estado depressivo temporário, já a depressão é constante;
  • o burnout está relacionado à vida materna, mais diretamente, enquanto que a depressão está envolvida à todas as esferas da vida;
  • o burnout causa uma culpa real, explicável, a depressão por outro lado, cria uma culpa fora do normal, irreal.

 

Se você suspeita que está passando por burnout materno ou por depressão, procure ajuda de profissionais. O fato de precisar de apoio não significa que você é menos mãe, menos capaz ou menos amorosa porque está passando por isso, entende?

Se você leu esse texto até aqui, por favor, compartilhe para que mais mães conheçam esse mal e possam se tratar. Vamos nos apoiar!

Um abraço e até mais!

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Sobre o autor

Mariana Mendes

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