Maternidade

O que é natimorto? O que pode causar?

Natimorto

Período da vida normalmente saudado por papai e mamãe como a maior expressão do amor entre ambos, com o surgimento de uma vida que vem deles e deles dependerá por muitos anos, a gestação é também um tempo de preocupações e até mesmo desconforto para a mulher. Mesmo assim, aguardado e superado com alegrias e satisfação. Mas, pode também tornar-se um pesadelo, pois número expressivo de mamães ainda descobre que leva um natimorto na barriga – um feto já sem vida.

Situação triste demais para o casal e uma estatística social que o Brasil ainda carrega como consequência de suas deficiências de atendimento nas áreas públicas de saúde. Em 2015, por exemplo, 8,6 gestações, em cada mil no país, não chegaram com sucesso ao nono mês de gravidez.

Os perigos do último trimestre

O pior nessa triste situação, apontam os especialistas no assunto, é que boa parte dessa gravidez bruscamente interrompida poderia ser evitada.

Isso mesmo: se nossos serviços públicos de saúde fossem eficientes no atendimento, de forma especial às populações carentes, pelo menos metade desses natimortos teria sobrevivido até a hora do parto.

Uma triste realidade. Ainda em 2015, segundo organismos internacionais confiáveis, foram registrados pelo menos 2,62 milhões de casos de natimortos em todo o mundo. A maior parte das perdas ocorreu no último trimestre da gravidez.

Boa parte ocorre durante o parto

São aproximadamente 7,2 mil bebês que têm sua gestação abortada todos os dias, no mundo todo e, hoje, cerca de 4,2 milhões de mulheres sofrem com a depressão dessa tragédia e outras consequências psicológicas por ter abortado involuntariamente o seu próprio filho. Um mal que precisa ser evitado, diz uma pesquisadora, já que boa parte dos casos de natimorto poderia ser evitado.

E o pior nessa triste estatística internacional, cujos estudos incluem o Brasil, é que cerca de 1,3 milhões de casos de mortes de bebês em gestação ocorrem durante o trabalho de parto ou logo após o seu nascimento.



Natimorto

Doenças infecciosas entre as causas

O que esses especialistas garantem é que, com melhor assistência médica e trabalhos de pré-natal bem orientados, além de alimentação correta às mamães antes da gravidez e em cada período de gestação, essa mortandade toda poderia ser evitada.

Mas, no caso de natimorto, o que afinal provoca esse tipo de problema? São, em geral, doenças conhecidas e que, por isso mesmo, a gestação teria solução com o tratamento adequado.

Entre as principais causas que provocam o natimorto, estão doenças infecciosas comuns em países de maior pobreza, como a sífilis e a malária. Elas são responsáveis por malformações fetais e provocam pouco mais de 15% dos casos de interrupção violenta da gravidez. Na África Subsaariana, esse índice pula para cerca de 30%.

Sedentarismo e má alimentação: cuidado!

E a situação não é diferente no Brasil, onde as estatísticas nesse segmento também apontam para índices intoleráveis. São 8,6 casos de natimorto a cada mil nascimentos, números que nos colocam bem atrás até mesmo de países sul-americanos, como Argentina (4,6 casos/mil), Venezuela (7,1 casos) e Colômbia, que registra 8,1 casos para cada mil nascimentos. Perdemos até mesmo para o Sri Lanka (4,9 casos) e Malásia (5,8 casos por mil).

Além daquelas doenças infecciosos já citadas, os especialistas explicam que as mulheres precisam ter muito cuidado com as chamadas “doenças modernas”, provocadas em boa parte das vezes pelo sedentarismo e a má alimentação – obesidade, diabetes e hipertensão.

Gravidez tardia, mais um risco

Outra situação que precisa ser levada em consideração pelas mulheres que pretendem ter filhos é a época da gravidez.

Hoje em dia, as mulheres estão preferindo ter filhos já com mais idade e isso também representa um perigo para a gravidez – a idade e a falta dos cuidados que deveriam ser tomados nesta etapa da vida também são responsáveis por muitos casos de natimorto.

A gravidez tardia já representa um grande risco, o que se agrava ainda mais em casos de obesidade e hipertensão, o que é comum de ser observado, diz um médico.

Ou seja, são cuidados que a própria mulher precisa ter e, no Brasil, esse quadro é ainda agravado pela má assistência médica dos serviços públicos.

Atraso das consultas é drama cotidiano

O ideal, diz um médico, é a mulher receber a orientação de iniciar uma suplementação alimentar, especialmente com ácido fólico, cerca de um mês antes de engravidar e manter esta suplementação até três meses de gravidez, ou seja, até a 12ª semana.

Mas, como não existe esta atenção na pré-concepção e o atendimento para o pré-natal costuma ser tardio, o quadro em geral favorece o aparecimento de natimorto entre nossa população, de forma especial entre os mais carentes.

O médico cita que até é bem comum a mulher buscar os postos de saúde logo após descobrir a gravidez, mas, o atendimento passa a ser precário devido ao retardamento da primeira consulta.

No geral, diz ele, a primeira consulta só é marcada para dali a três meses, perdendo a mulher justamente o atendimento nos três primeiros meses de gestação, crucial para o bom desenvolvimento de seu bebê.

Natimorto

Precariedade no atendimento público

Este é o caso típico em que a criança possa estar contaminada com sífilis, seja do pai ou da mãe. Trata-se de doença que pode receber tratamento eficaz se o atendimento ocorrer logo após a concepção, mas, três meses depois, já começaram as malformações no feto.

É um caso que vai resultar em mais um número estatístico de natimorto no nosso país. E além da precariedade do atendimento rápido no nosso sistema público de saúde, ainda há a falta de medicamentos.

Neste caso da sífilis, um dos medicamentos indicados seria a penicilina benzatina, mas que possui poucos fabricantes no Brasil e no mundo devido à falta de interesse dos laboratórios farmacêuticos que a fabricavam.

Por ter baixo custo de venda e, portanto, baixa lucratividade, não desperta a atenção dos laboratórios privados. E não há a complementação de laboratórios públicos, como seria o recomendado.

Enfim, uma situação dramática que nasce nos serviços públicos de saúde com grande deficiência de atendimento e acaba em dramas familiares, que levam milhões de mulheres a carregarem, para o resto de suas vidas, quadros de depressão e outras sequelas psicológicas por terem tido um filho natimorto.

Um quadro trágico que se repete, infelizmente, todos os dias, mas que não recebe a atenção que merece das autoridades que deveriam buscar as soluções. Quadro triste demais para a mulher brasileira e de quase todo o mundo.

Sobre o autor

Giovanna Cóppola

Trabalha com web, design, criação, conteúdo, SEO e fotografia. Em 2011 criou a Pandartt e hoje assume a direção da agência, além de colocar a mão na massa em todos os projetos. Paralelamente, tem outros três projetos: Viva com Felicidade, BlogGeek e Mapa dos Bichos. Ama música, cinema, jogos, arte, tecnologia, tatuagens e pandas.

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