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Entrevistas Saúde

Outubro Rosa e o Relato das Guerreiras: a história de Julie

Outubro Rosa é uma campanha internacional em prol da divulgação da luta contra o câncer de mama. Nesse mês, o laço rosa une milhares de pessoas na divulgação de informações sobre a doença, tanto para prevenção quanto para o apoio a quem está nessa batalha.

Nós já publicamos as histórias de 5 guerreiras, você já viu? Então conheça a luta dessas lutadoras e se inspire:

Agora, confira a trajetória de Julie, que luta há cerca de um ano contra o câncer de mama:

Silêncio no coração

“Fazendo um auto exame no banho, em outubro de 2017, descobri um caroço”. Foi na ginecologista na semana seguinte e recebeu o encaminhamento para a mastologista. “E lá fomos, eu e meu esposo, que não me deixou sozinha em nenhum momento”.

Após a  biópsia veio o resultado. Julie narra este momento: “Silêncio no coração, meu marido entrou em desespero, não parava de chorar. Olhei para ele e disse:’Amor, vai ficar tudo bem'”.

Julie possui 40 anos e trabalha como consultora de moda em Maringá, no estado do Paraná. Casada há 21 anos, é mãe de um casal de filhos. “Eles foram fundamentais nessa luta que estou vencendo”, relata.

Julie e sua família

Cheia de energia, dificilmente arranja tempo para o sofrimento. Seus olhos brilham de determinação. Todos os dias suas redes sociais espalham mensagens de fé e coragem.

A cirurgia

No dia 4 de março de 2018 foi internada para realizar a cirurgia para retirada do tumor. “Cheguei na esquina do Hospital do Câncer de Maringá e lá estavam meus queridos amigos me apoiando, dando força”, lembra.

Recepção dada à Julie antes da cirurgia em março de 2018

“Foi muita emoção saber que não estava sozinha”, afirma Julie. E antes de realizar a cirurgia, mais uma surpresa: sua amiga Jamile, chefe de enfermagem, conseguiu liberação para acompanhá-la no centro cirúrgico. “Ficou segurando a minha mão e assistindo”.

Conversou animadamente com todos até que os sedativos fizeram efeito. “Quando acordei estava no quarto. Não precisou tirar toda a mama, só o quadrante e esvaziou as axilas”, narra ela.

“Ganhei um companheiro provisório, o Raul”, confidencia Julie enquanto mostra a foto do amigo:

“Esse era Raul, o meu dreno”, explica Julie.

O dreno é um dispositivo pós-cirúrgico que funciona para retirada da secreção produzida. Geralmente é usado até a alta, como no caso de Julie.

A volta para casa foi tranquila, apesar da dor. “Mas a cada dia recebi muito amor de minha família e amigos e fui me recuperando”, conta. “Ganhei outra amiga, a tipoia, porque não parava com o braço”.

A amiga tipoia precisou ser acionada, já que Julie “não parava com o braço”

“A saga das quimio”

Após a recuperação, na companhia do marido e da filha, compareceu à consulta com o Dr. Wesley, oncologista. Julie já o conhecia, pois atendeu sua esposa e filha de 8 anos (como é esse atendimento?). Protocolo de tratamento: 8 quimioterapias, sendo 4 brancas e 4 vermelhas. A primeira quimio foi logo após a consulta.

“E lá fui eu, tudo novo e com aquele medo”, lembra. Apesar da apreensão, diz: “Não foi um bicho de sete cabeças”. Ao longo do tratamento, viveu altos e baixos: “Tive dias bons e outros nem tanto, devido aos sintomas”.

“Perdi os cabelos, sobrancelhas e até os cílios, mas não a fé”, afirma ela. E completa: “Posso ter o câncer, mas ele não me tem”.

Após quimio, Julie posa para foto com equipe do Hospital de Câncer de Maringá

Descreve essa fase com muita positividade: “Conheci pessoas maravilhosas, amigas da quimio e também enfermeiras, oncologistas, que faziam tudo ser mais fácil”.

“Um dia de cada vez”

Agora, as quimioterapias acabaram e Julie começará a fazer as radioterapias. Porém, sempre: “Com garra e fé”.

Segundo o Instituto Oncoguia, a radioterapia é uma modalidade de tratamento contra o câncer que funciona com exposição à radiação. As ondas eletromagnéticas destroem as células do corpo, prejudicando o seu DNA. Desta forma, o tratamento retarda a reprodução das células cancerígenas, que sofrem mais com o efeito da radiação do que as células saudáveis.

Apesar de todas as experiências dessa luta, Julie afirma: “Consegui ver o lado bom das coisas e vencer o medo”. Sobre como conseguiu lidar com tudo desta forma, ela fala com firmeza: “A cabeça tem que estar boa com pensamentos positivos e acreditar sempre”.

Para quem acaba de descobrir o câncer de mama, ela envia um recado: “Saiba que tudo tem um propósito e que o medo não é nada. O que somos e fazemos nos mantém firmes e fortes”

A rede de apoio

Além do apoio da família e dos amigos, Julie participa do grupo Amigas do Peito, da Rede Feminina de Câncer de Maringá (RFCM). Sobre o espaço, relata: “Temos encontros uma vez por mês. Fazemos ações, festas temáticas e temos uma psicóloga”.

Julie acredita na importância de todos os grupos de apoio: “Juntas somos mais fortes”, alega, “dividimos experiências e dúvidas”.

Os cabelos de Caliel

Caliel, um dos filhos de Julie, por 11 dos seus 15 anos de vida, deixou seus cabelos crescerem. Quando a mãe descobriu o câncer, ele quis doá-los para ela fazer uma peruca. Julie, no entanto, não aceitou.

Caliel decidiu, então, doar os cabelos para a campanha “Força na Peruca”, organizada pelo Instituto Davi Moretti Lazarin em parceria com o HC de Maringá e com o Salão Espaço Juliana de Oliveira.

Caliel, filho de Julie, com seus cabelos cultivados por 11 anos e doados em campanha em prol de pessoas com câncer.

Orgulhosa, Julie declara: “Gratidão por esse filho maravilhoso que Deus me deu”.

Compartilhe a história de superação e resistência de Julie nas redes sociais e não esqueça de ler mais sobre o Outubro Rosa:

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