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O perigo dos tratamentos estéticos: 5 dicas para não ser enganada

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O que você está disposta a sacrificar para ter o corpo dos seus sonhos? Os perigos dos tratamentos estéticos realizados sem os critérios médicos adequados pode cobrar um preço alto demais.

Essa semana o Brasil conheceu o escândalo do Dr. Bumbum, médico responsável pelo procedimento estético realizado em Lilian Calixto, bancária de 46 anos que faleceu no dia 15 de julho de 2018.

O Dr. Bumbum é acusado de realizar procedimentos estéticos no Rio de Janeiro sem a licença médica estadual exigida. Além disso, a mídia e as investigações policiais apontam para outras irregularidades: o local onde o procedimento chamado de “bioplastia” era realizado não era adequado e sua assistente não era formada em Enfermagem, apesar de trabalhar junto ao Dr. Bumbum e responder às dúvidas de pacientes e possíveis clientes nas redes sociais.

O caso do Dr. Bumbum

Dr. Bumbum é o apelido de Denis Furtado nas redes sociais. Em seu site, é possível encontrar o CRM do profissional, que era habilitado para atuação médica em Goiás e Distrito Federal. No entanto, o médico atuava também no Rio de Janeiro, local onde, inclusive, ocorreu o atendimento da bancária Lilian Calixto, que faleceu após ser atendida por Denis.

Lilian Calixto possuía 46 anos e se submeteu a um procedimento chamado “bioplastia“. Esse procedimento funciona com a aplicação de um ácido conhecido como Metacril, nome comercial do polimetilmetacrilato (PMMA), em áreas de irregularidade, para “preencher” áreas do rosto, bumbum, coxas e panturrilhas. Suspeita-se que Lilian tenha sofrido de uma embolia pulmonar em decorrência da aplicação da substância sintética em seu corpo.

Os riscos da bioplastia

A Anvisa diz que a forma líquida do PMMA pode ser utilizada. Entretanto, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o PMMA não é a melhor opção e não deve ser usado em procedimentos estéticos.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Dr. Sergio Palma, alerta: “O uso dessa substância pode causar edemas locais, processos inflamatórios, reações alérgicas e formação de granuloma, entre outras. Essas reações podem ser imediatas, em curto prazo, após o procedimento ou tardias”.

O Dr. Sergio orienta as pacientes: “Ao realizar qualquer procedimento estético invasivo, é preciso certificar-se se o profissional escolhido é médico, habilitado e com situação regular no Conselho Regional de Medicina (CRM), evitando situações de risco decorrentes de possível atendimento por pessoas sem a devida qualificação e sem competência legal para tanto”.

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Outra informação a qual a paciente deve estar atenta é ao local onde será atendida, pois qualquer procedimento invasivo de estética deve ser realizado em estabelecimentos de saúde, como consultórios médicos, clínicas e hospitais, locais onde é possível observar os quesitos de biossegurança dos procedimentos.

Em 2016, diz uma matéria da Revista Veja, a procura por procedimentos estéticos não cirúrgicos aumentou 390%. São cada vez mais pessoas, geralmente jovens, que se submetem a alterações corporais estéticas diariamente. Por isso, é muito importante saber pesquisar sobre o profissional antes de fazer qualquer procedimento. Confira algumas dicas práticas:

1. Consulte o CRM

O CRM é o número que o médico recebe para exercer a medicina e o RQE (Registro de Qualificação de Especialista) é a identificação que o especialista tem para que sua especialidade médica seja reconhecida.

Os profissionais médicos devem ter um registro junto ao Conselho Regional de Medicina de seu estado antes de iniciar sua atuação profissional. O Conselho Regional é responsável pela fiscalização da prática destes profissionais, para garantir que eles sigam as diretrizes consideradas mais adequadas pela medicina.

O RQE é obtido no momento em que o médico registra o certificado de conclusão de residência médica credenciada pela Comissão Nacional de Residência Médica ou também o Título de Especialista no Conselho Regional de Medicina do estado em que trabalha.

Para consultar o CRM do médico, basta acessar este link e preencher os dados. O médico deve ter o registro no Conselho em todos os Estados do Brasil onde atua como profissional da saúde. Caso você perceba que o médico não possui o registro correto, você pode informar o Conselho Regional de Medicina para que ele tome providências.

Para saber se o médico possui registro de especialista, basta fazer uma simples consulta no site do CFM e CRMs. No caso do médico dermatologista, a consulta também pode ser feita pelo site oficial da SBD: www.sbd.org.br.

2. Pesquise sobre o passado do profissional

Você não precisa se tornar um Sherlock Holmes, que vai atrás de todos os detalhes. Apenas pesquise no Google mesmo. Coloque o nome do profissional junto a palavras como “denuncia”, “reclamação” ou “reclame aqui”. Outra opção muito boa para quem tem paciência com a linguagem jurídica, é o Escavador.

3. Procure relatos não oficiais

Geralmente, os relatos divulgados pelo profissional são dirigidos e, digamos, selecionados. Por isso, procure saber mais em grupos nas redes sociais, contatos pessoais de amigos e familiares, além de pesquisas na internet e leia relatos não oficiais sobre a atuação do profissional. Ninguém é perfeito, é verdade, mas uma pesquisa dessa pode te livrar de uma bela enrascada.

4. Tire todas as suas dúvidas

Converse detalhadamente com o profissional e procure tirar todas as suas dúvidas antes de “fechar” com ele. Observe o comportamento dele, se passa confiança e se você se sente segura para confiar seu corpo, sua integridade, sua saúde e sua vida a este profissional. Pode parecer dramático, mas é uma decisão que não é simples e precisa ser muito bem pensada. Uma boa oportunidade, aliás, para trabalhar a ansiedade e os impulsos, não é?

5. Consulte a comunidade médica

Praticamente todas as especialidades médicas possuem uma associação. Estas instituições costumam divulgar notas oficiais com o parecer sobre procedimentos, medicamentos e tratamentos. Vale a pena mandar e-mail perguntando sobre algo que não está na internet ou até mesmo sugerir um posicionamento dessas instituições. As associações de profissionais estão aí a serviço da sociedade e você pode contar com elas. No caso dos tratamentos estéticos, procure:

Pode parecer muito trabalhoso pesquisar tanta coisa antes de fazer um tratamento de estética. Mas quando é seu corpo, sua saúde e sua vida em jogo, vale a pena avaliar alguns detalhes, certo?

Fontes: Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

Sobre o autor

Mariana Mendes