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Como o uso crescente de VPNs vêm afetando a indústria do entretenimento

Você já ouviu falar em VPN? A sigla em inglês para virtual private network, ou rede virtual privada, em bom português, pode parecer complicada em um primeiro momento, ou mesmo o tipo de coisa que só quem é aficionado por tecnologia acabaria se interessando – mas do que se trata?

Como você pode suspeitar pelo nome, VPNs têm a ver com a internet, mais especificamente, com a forma como nos conectamos à rede e o tipo de conteúdo que podemos acessar através dela. Digamos que você quer assistir uma série nova que ainda não chegou ao seu serviço de streaming favorito, mas que já está disponível na versão norte-americana deste provedor – através do uso de um serviço de VPN você tem acesso a este conteúdo e tantos outros mais, sem se preocupar com quais restrições atribuídas à sua localização.

Há outras aplicações, é claro, e muito já foi discutido sobre como VPNs podem garantir a segurança de nossos dados ao navegar pela internet, mas hoje estamos aqui para falar um pouco mais sobre como estes serviços podem afetar a indústria de entretenimento a nível global.

Um mundo inteiro de conteúdo a um clique de distância

Já comentamos no começo do texto, mas não custa bater nesta tecla novamente: através do uso de VPNs, você tem acesso a conteúdos que não teria normalmente, pois muitos serviços de streaming se baseiam na localização do usuário para determinar quais conteúdos podemos acessar. Em termos práticos, isso significa que com um simples clique temos acesso a um catálogo quase que infinito de séries, filmes, documentários e o que mais pudermos imaginar, além de outras aplicações que podem parecer menos óbvias em um primeiro momento – digamos que durante uma viagem a trabalho para o exterior você queira maratonar sua série favorita e ela não está disponível naquele país, uma pequena chateação que se resolve ao adotar uma VPN.

De acordo com pesquisa da GWI, publicada em 2018, estas ferramentas vinham sendo utilizadas essencialmente para fins de entretenimento, apesar de tantos outros benefícios associados ao seu uso. Ao contrário do que especialistas em segurança ou as próprias empresas provedoras destes serviços poderiam imaginar, a motivação maior para uso de VPNs era simplesmente poder acessar conteúdo de entretenimento de qualquer lugar do mundo. Serviços de streaming integram uma fatia enorme do setor de entretenimento, com uma receita de 69 bilhões de dólares em 2021, considerando somente assinaturas – sem contar atividades indiretas, como a produção de novos filmes e séries, aquisição de direitos de reprodução e demais elementos associados ao segmento. Mas como VPNs afetam a indústria?

Pare e pense por um instante: há razões de ser para que determinados conteúdos sejam restritos geograficamente – de cara, podemos pensar na questão dos direitos de exibição, por exemplo, que não foram negociados para este ou aquele país, o que justifica sua indisponibilidade para uma parcela dos usuários. Claro que isso é uma preocupação dos próprios serviços de streaming, que incluem cláusulas em seus contratos, proibindo expressamente o uso de VPNs para acessar conteúdo restrito, porém, como não há consenso na legislação sobre o tema, os usuários seguem utilizando os serviços como bem entenderem – o que acaba criando um desafio enorme para as grandes empresas de streaming, que insistem em restringir os conteúdos por localização, apesar de algumas mudanças aqui e ali. Há quem argumente que diante deste problema, há também uma oportunidade, afinal, se há tanta gente determinada em acessar material não disponível em seu país, não seria o caso das grandes empresas considerarem a negociação dos direitos de exibição? Ninguém sairia perdendo, afinal. Enquanto isso não acontece, cabe ao usuário decidir como e quando acessar o conteúdo de seu interesse.

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Sobre o autor

Pedro Henrique Ferreira Mendes